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Procrastinare

This Is The Star Wars You´re Looking For

por Luís Martim Moreira, em 20.12.15

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“Strong with this one the force is”

 

ATENÇÃO – O SEGUINTE POST TEM SPOILERS SOBRE O FILME “STAR WARS – EPISÓDIO VII – O DESPERTAR DA FORÇA” CASO AINDA NÃO TENHA TIDO A FELICIDADE DE TER VISIONADO O MAIS RECENTE FILME DA SAGA SUGIRO QUE VÁ PROCRASTINAR PARA OUTRO LADO E NÃO PROSSIGA NA SUA LEITURA. DE IGUAL MODO SE ALERTA PARA A EXTREMA LONGURA QUE ESTE POST TERÁ PARA ALGUÉM QUE NÃO SEJA UM VERDADEIRO FàDE STAR WARS… POR ISSO APRESENTO AS MINHAS SINCERAS DESCULPAS E PEÇO QUE VENHAM AO BLOG NOUTRO DIA….

 

Na quarta-feira falei aqui no procrastinare na enorme antecipação que era a espera pela estreia do novo episódio de Star Wars, e nesse post referi que depois de ver o filme iria explicar o porquê de tanto gostar de Star Wars e, portanto, tentarei faze-lo neste post. Irei de igual modo falar sobre o filme, as surpresas, e a minha opinião mais que positiva da película de J.J. Abrams.

 

O Vício de Star Wars

Eu devo dizer que não sofro propriamente de um vício de Star Wars como tantos milhões de pessoas por todo o mundo, na medida em que a minha vida não roda a volta da saga criada por George Lucas, não sou especial coleccionador, nem me mascaro de personagens do filme, no entanto considero-me um fã inveterado de igual modo.

O meu fascínio com o mundo Star Wars começou quando vi pela primeira vez a trilogia original por volta de 1995 num especial emitido pela RTP onde os três episódios originais foram transmitidos na versão original (posteriormente Lucas iria remasterizar visualmente e sonoramente os três filmes originais). Como nasci no final dos anos 80 não assisti ao fenómeno criado por George Lucas a quando do lançamento de Star Wars – Uma Nova Esperança (1977) mais tarde renomeado Episódio IV, Star Wars – O Império Contra Ataca (1980) mais tarde renomeado Episódio V e por fim Star Wars – O Regresso do Jedi (1983) mais tarde renomeado episódio VI.

Tal como era habitual com outros filmes mais antigos como os Indiana Jones, Os Goonies, a saga Regresso ao Futuro, películas de terror ou mesmo séries de ficção cientifica e de terror como a "Twilight Zone", a RTP, especialmente na sessão matiné aos Sábados a noite, trazia ao pequeno ecrã estes mundos criados a 15 ou vinte anos atrás, que apesar de já estarmos em 1995 os efeitos especiais ainda não tinham evoluído muito, e estes filmes tinham um encanto que porventura já não terão para as gerações mais novas, habituadas a cenas de acção delirantes e confusas, cenários e personagens inteiramente feitos por computador e a quase total substituição de cenários, maquilhagens e efeitos práticos por estes efeitos falsos criados por computador.

Daí o grande fascínio que sempre tive pelos episódios IV a VI, Lucas e companhia criaram aventuras no espaço nunca antes vistas com efeitos visuais inovadores, mas sobretudo os filmes eram apoiados numa forte história que fundia elementos de contos clássicos como a Ilíada ou Odisseia, baseados em forte iconologia histórica e religiosa (O Império tem uma forte conotação nazi, e a força uma forte componente religiosa), tudo ligado por personagens fortes e aventureiras Luke Skywalker (Mark Hamill), Leia (Carrie Fisher) e Han Solo (Harrison Ford), Chewbacca (Peter Mayhew), Yoda (Frank Oz), Obi-Wan Kenobi (Alec Guiness) e os fantásticos robôs C-3PO (Anthony Daniels) e R2-D2, todos unidos contra um inimigo comum o misterioso Darth Vader (David Prowse e voz de James Earl Jones) e o seu maléfico império do mal.

 

Star Wars Episode IV - A New Hope

Qualquer criança na tenra idade de 8 anos ficaria fascinada com este mundo, e assim fiquei, as falas, a história do bem contra o mal, as fantásticas lutas de sabre de luz, as ainda mais fantásticas perseguições de naves e batalhas espaciais, os adoráveis robôs, as icónicas frases que ficaram para a história do cinema: “Luke I´m Your Father”, “These are not the droids you´re looking for”, “strong with this one the force is”, “may the force be with you”, entre tantas outras, Star Wars na sua essência é história do cinema e simultaneamente iconologia popular, algo que apenas alguns filmes atingem e poucos serão passados no espaço, blockbusters e apoiados em três gerações distintas de fãs.

 

Porque depois existe o lado comercial da saga, pois George Lucas antecipando o advento do merchandising apostou nesta vertente ao invés de apostar nas receitas do filme original algo que dado o sucesso do filme e dos dois que se seguiram o fizeram num homem imensuravelmente rico, tornando a Lucas Films numa das mais poderosas empresas de Hollywood e a ILM (Industrial Light and Magic) empresa de efeitos visuais criada com Spielberg uma das mais rentáveis e revolucionárias no advento dos efeitos digitais.

E neste aspecto quando Lucas anunciou em 1996 que iria começar a trabalhar numa nova trilogia que iria ser uma prequela aos episódios originais, tanto dinheiro e poder deram-lhe a volta a cabeça e fizeram-no distorcer aquilo que era a essência da saga e por isso houve tanta revolta na grande comunidade de fãs por todo o mundo.

 

É que George Lucas obstinado e crente em si mesmo, decidiu tomar a rédea de todo o espectáculo chamando a si mesmo as rédeas de argumento, produção e realização das prequelas, afastando grande parte da equipa que o ajudou a sair-se bem em 1977, como Lawrence Kasdan (Co-argumentista), e decidiu transformar Star Wars num símbolo de inovação digital e revolução da indústria esquecendo-se do mais essencial, do que tornou Star Wars um fenómeno cultural a escala mundial, o guião, a história que move as personagens.

 

Nesse aspecto lembro-me bem da minha enorme expectativa, na altura com 11 anos, em ver Star Wars – Episódio I – A Ameaça Fantasma (1999), e os posteriores Star Wars - Episódio II - O Ataque dos Clones (2002) e Star Wars - Episódio III - A Vingança dos Sith (2005). Era a primeira vez que ia poder ver este mundo numa sala de cinema.

 

Recordo-me por exemplo dos imensos serões que passei a brincar com a infindável colecção de Legos que tinha do Episódio I (Ainda guardada religiosamente), do pod-race que construi com tanto entusiasmo, da nave de Padmé, enfim muito brinquei ao Star Wars.

 

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Na altura era-me indiferente ainda a complexidade da história no seu global, mas mesmo com 11 anos já me lembro de achar a parte das rotas do comércio uma seca, Jar-Jar Binks completamente infantil e a falta de verdadeiro humor e aventura que existia em abundância na trilogia original.

 

Quando estreou o episódio II já tinha 14 anos, uma enorme paixão por cinema e argumento, e comecei verdadeiramente a sentir-me defraudado com a insistência no digital apesar de gostar do rumo da história de Anakin e do seu caminho para o lado do mal. O episódio II já tinha menos Jar-Jar Binks, uma fantástica perseguição espacial de Jango-Fett a Obi-Wan Kenobi e uma enormíssima interpretação de Natalie Portman como Padmé.

 

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De 2005 lembro-me do entusiasmo com que esperei três horas na fila do cinema local, para adquirir bilhetes para uma das primeiras sessões, cerca de dois meses antes da estreia, apesar de George Lucas e Jar-Jar Binks, o vicio já era intrínseco e não conseguia aguardar para ver como um jovem Anakin Skywalker se tinha transformado no terrível Darth Vader. Deste filme fica na minha opinião a melhor batalha espacial a que já assisti, logo no inicio do filme, um feito incrível de Lucas em que a sua insistência nos efeitos especiais acabou por dar resultado. Fica também o fecho de uma história trágica de amor e do falhanço das forças do bem sobre as forças do mal, um caminho diametralmente oposto ao tomado no final da trilogia original onde tudo acaba numa grande festa em que o lado da luz vencera o lado negro da força.

 

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A Parte Comercial da Força

 

Star Wars e Disney

Podemos portanto concluir que no meio de tanta coisa Lucas se atrapalhou mas consegui levar o barco a bom porto e acabou por se redimir com o que na minha opinião até é um bom Episódio III.

Do ponto de vista comercial os filmes foram um sucesso, engordaram ainda mais os cofres da Lucas Films da qual Lucas era total proprietário.

No entanto os problemas com as prequelas não colocavam obstáculos a Lucas e dizia-se já em 2008 que o mesmo já trabalhava nos guiões dos episódios VII a VIX.

Num excelente e surpreendente volte de face, digno de um qualquer episódio de Star Wars, a Disney ou aquilo que eu denomino de “império do mal” tamanha é a sua importância no universo criativo e produtivo de Hollywood (comparável talvez a Evil Corp de Mr. Robot), dona para além de todo o universo Disney, da Pixar, da Marvel, da estação e respectivos canais da ABC, bem como de parte da Mattel, entre muitos outros negócios, decidiu oferecer a Lucas algo como 4 mil milhões de euros (valor que a Disney espera recuperar apenas com o lançamento do Despertar da Força) para ficar com a Lucas Films e todo o seu reportório.

No entanto isto significaria uma coisa, Lucas seria afastado criativamente de todo o processo e a Disney iria lançar uma “frente” Star Wars com o lançamento dos Episódios VII a VIX bem como Rogue One, mais um spin-off sobre Han Solo e um sobre Bubba Fet, tudo até 2019 e acompanhado com a vertente infantil nos canais Disney de mais uma série de animação, e entregando á Marvel o poder para no meio disto tudo lançar cerca de uma dúzia de bandas desenhadas sobre o universo Star Wars.

Isto significaria elevar o mundo Star Wars a um estatuto que apenas a Marvel tem com o seu universo Marvel, sendo que tanto Marvel como Lucas Films apesar de concorrentes seriam agora propriedade do “império” da Disney, e para a mesma reverte todo este “carcanhol”.

 

Enfim, negócios a parte, resta saber a quem seria entregue este difícil projecto de conciliar os fãs antigos com Star Wars, e sobretudo tentar unificar a trilogia original com as prequelas mas dando um novo rumo a este que parece ser um universo sem fim, dando oportunidade ao aparecimento de novas personagens que possam continuar a saga.

 

J.J. Abrams quem mais?

 

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Aqui devo dizer, que sou um pouco parcial para falar de Abrams pois sou um enorme fã do seu talento como argumentista inicialmente, e como produtor e realizador mais tarde.

 

Senão vejamos o seu currículo:

 

Co-Criador de quatro das mais revolucionárias séries de televisão:

 

Alias – Foi a partir desta série que se redefiniu o conceito de série de acção em televisão, bons argumentos, bons actores e excelentes momentos de acção fizeram desta série um marco na televisão, de Jennifer Garner uma estrela e de J.J. Abrams um guru da TV.

 

Lost – Palavras para quê? Fenómeno de culto sem paralelo, colocou milhões de pessoas a pensar o que raio se passava numa longínqua ilha. Twin Peaks com esteróides e para as massas seria a melhor analogia para descrever Perdidos. A televisão nunca mais foi a mesma, e tornou-se num dos mais rentáveis negócios de Hollywood neste momento.

 

Fringe – Redefiniu o conceito de série de ficção cientifica, com personagens fortes, mistérios sem fim e muita, mas mesmo muita ficção cientifica.

 

Person Of Interest – Aqui tem que se dar crédito igualmente a Jonathan Nolan, mas é sem duvida uma das mais interessantes e fascinantes séries da televisão norte-americana. Com menos projecção do que as três apontadas em cima, mas com igual mérito criativo.

 

Revitalizou duas sagas importantes do cinema americano:

 

Missão Impossivel 3 – Para mim o mais interessante desde o original. Fantástico vilão interpretado por Philip Seymour Hoffmann, intriga mistério e acção, os três principais componentes de uma saga que tinha sofrido com o capitulo II e que a partir de Abrams como produtor ganhou nova “pujança” e elevou-se a uma das mais rentáveis de Hollywood.

 

Star Trek – Trouxe a saga concorrente de Star Wars para o século XXI, com bom argumento, boa escolha de actores e fantásticas sequências de acção espacial. Deu a Benedict Cumberbatch um dos mais incríveis vilões da sua carreira, e sobretudo deu nova vida a uma saga que parecia estar moribunda. Diz-se que os trekkies mais fanáticos não gostaram muito do resultado, no entanto como mero apreciador das séries televisivas e dos dois primeiros filmes, acho “Star Trek” e “Star Trek – Into Darkness” duas películas fantásticas.

 

No entanto J.J. Abrams teria uma hercúlea tarefa pela frente dada a dimensão do universo Star Wars, do peso da herança de Lucas e da pressão para que tudo corresse bem. No entanto penso que a Disney não poderia ter escolhido melhor, acho que J.J. Abrams é de facto o sucessor natural de Spielberg, algo que até o próprio já reconheceu a quando da estreia de “Super 8” filme homenagem de J.J. Abrams inteiramente dedicado a imagética criada pelo “mestre Spielberg” em E.T. - O Extraterrestre.

 

Abrams tal como Spielberg sabe o poder que as “moving pictures” podem dar a uma história nunca privilegiando a imagem ou a acção em virtude de um bom argumento, mas sobretudo reconhecendo uma coisa, que uma história bem contada em cinema pode render muito dinheiro ou seja um “êxito de bilheteira” ou blockbuster não tem necessariamente que ser uma obra acéfala, e um filme de culto não tem necessariamente que não facturar no box-office.

 

Estava criada a expectativa, será que a força estaria com J.J. Abrams?

 

Indeed it Was!

 

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E apenas aqui começa a minha análise ao novo filme da saga Star Wars – Episódio VII - O Despertar da Força.

 

Em primeiro lugar devo dizer que acho incrível, dada a quantidade de potenciais spoilers que a película tem, até à data da sua estreia não se saber grande coisa do enredo do filme, isto nos dias de hoje é realmente notável tendo em conta a quantidade de pessoas que trabalham na produção de uma grande película de Hollywood.

Assim sendo devo dizer que o Despertar da Força assenta para mim em três ideias fundamentais. Primeiramente trazer o espírito original de aventura, humor e suspense perdido nas prequelas. Assentar visualmente o filme em cenários reais, maquilhagens, efeitos práticos e interacção real entre personagens, algo novamente perdido nas prequelas. E por fim fazer as pazes entre a trilogia original e as prequelas, utilizando os elementos bases da história do Star Wars original, recuperando antigas personagens, dando-lhes relação com as novas personagens introduzidas, mas passando o testemunho de certa maneira a estas novas personagens, heróis e vilões que serão responsáveis por continuar as aventuras no mundo Star Wars para além dos “velhos actores” que já não terão tanto andamento para as necessárias cenas de acção.

 

E muitos dirão portanto que J.J. Abrams se limitou a fazer um remake e não uma sequela. Neste aspecto existem algumas pessoas que poderão ter uma sensação de “dejá vu” no que concerne á história, mas a ideia era mesmo essa, era dar aos fãs uma oportunidade de reviverem antigos momentos da saga, em jeito de despedida mas interligando esses momentos com as novas personagens e novas aventuras que ai virão. Este será portanto o primeiro filme remake/sequela como podem dizer que isto não é original? È uma espécie de filme de pacificação entre o cânone original e tudo o que veio a seguir e que virá no futuro. 

 

De quaquer modo aqui fica a minha análise detalhada:

 

««WARNING – SPOILER ALERT»»

««WARNING – SPOILER ALERT»»

««WARNING – SPOILER ALERT»»

(Acho que três avisos são mais que suficientes a não ser que não saibam ler inglês, nesse caso…)

 

««CUIDADO – ALERTA DE ESTRAGANÇO DE FILME»»

««CUIDADO – ALERTA DE ESTRAGANÇO DE FILME»»

««CUIDADO – ALERTA DE ESTRAGANÇO DE FILME»»

(Pronto assim fico bem prevenido)

 

Começando com a habitual introdução do logo de Star Wars em fundo estelar, rola a fantástica sequência musical de abertura dos filmes composta pelo grande John Williams, onde no habitual texto que desaparece no horizonte ficamos a saber que:

 

“Após 30 anos da destruição da segunda Estrela da Morte, a Aliança Rebelde conseguiu restaurar a República Galáctica, mas restos do Império reorganizaram-se como a Primeira Ordem, cujo crescimento é combatido pela Resistência da República. Poe Dameron (interpretado por Oscar Isaac), um piloto da Resistência, é enviado ao planeta Jakku pela General Leia Organa (Carrie Fisher) para obter um mapa que indica aparentemente a localização de Luke Skywalker (Mark Hamill), o último Jedi, há muito desaparecido. Kylo Ren (interpretado por Adam Driver), um poderoso conhecedor do Lado Negro da Força e discípulo do mestre Snoke (interpretado por Andy Serkis), encontra-se no encalço da mesma informação.”

 

Abrams de facto não tinha como escapar no que respeita a manter certas tradições de Star Wars intactas, a habitual sequência de abertura logo seguida de uma perseguição no espaço, foi assim em todos os seis episódios anteriores e não seria com certeza diferente neste capitulo VII.

 

Destroyer 

“Poe viaja até o planeta Jakku para tentar reaver o mapa. Atacado por Kylo Ren, coloca o mapa no seu droide BB-8. Kylo Ren captura Dameron e ordena o massacre de toda a população da aldeia onde ele foi encontrado.”

 

BB-8

Percebemos que Poe denota uma certa audácia de Han Solo e respectivo humor perspicaz. BB-8 é simplesmente genial e uma fantástica adição ao universo da saga. A cena em que Kylo para um disparo de um blaster com o uso da força é simplesmente deliciosa e algo nunca visto em outros filmes, tem algo de poderoso vermos Poe a medida que passa pelo raio “inanimado” em pleno ar que minutos antes tinha disparado na direcção de Kylo Ren. Começamos a perceber que a força é de facto forte neste misterioso personagem.

 

Kylo Ren

 

“Um stormtrooper (interpretado por John Boyega) testemunha em primeira mão a brutalidade da Primeira Ordem e deserta para ajudar Dameron, que passa a chamá-lo de Finn, uma vez que o stormtrooper não tem um nome, apenas um número: FN-2187. No entanto não conseguem escapar e caem de novo em Jakku, no entanto Finn perde-se de Poe e presume que o mesmo não teria sobrevivido á queda.”

 

A escolha de Boyega para render a personagem de Finn é simplesmente brilhante, as questões raciais colocadas antes da saída do filme são completamente disparatadas. Boyega foi escolhido porque é um excelente actor e ponto. Também fantástica parece ser a relação criada entre Finn e Poe aqui um pouco na tentativa de recriar o elan criado na trilogia inicial entre Han Solo e Luke. A fuga do “destroyer” é hilariante e empolgante algo que não víamos há muito em Star Wars.

 

Poe e Finn

 

“Enquanto isso, BB-8 fica na posse de Rey (interpretada por Daisy Ridley), uma jovem que sobrevive como “scavenger” e espera pelo regresso dos seus pais que a deixaram no planeta em criança. Após Finn encontrar Rey e BB-8, a Primeira Ordem localiza-os e os três escapam do planeta numa velha nave, a Millennium Falcon, que pertenceu a Han Solo (interpretado por Harrison Ford).”

 

Rey em "scavenger" Mode

 

Rey e Finn

Onde já vimos isto? Uma jovem a viver num planeta deserto, com excelente jeito para mecânica e que por acaso também é uma piloto por intuição? Que coincidência, parece um jovem Luke, mas não trata-se de Rey. Será mesmo coincidência, ou será também forte a força nesta personagem? Interpretação sólida e corajosa de uma actriz inexperiente mas que encarna a personagem na perfeição. Mais um jackpot no que concerne ao casting. Sinto uma grande carreira no futuro desta actriz. Palmas igualmente para Gwendoline Christie que interpreta mais uma poderosa guerreira após a personagem de Brienne de Tarth em "Guerra dos Tronos", Christie interpreta Captain Phasma uma capitão dos Stormtroopers com pouco sentido de humor e forte presença física, só é pena não vermos “Brienne” sem fato uma única vez, talvez num compactador de lixo no próximo episódio quem sabe?

 

Captain Phasma

“Na fuga com a Millennium Falcon, esta é capturada por Han Solo e Chewbacca (interpretado por Peter Mayhew), de quem a nave havia sido roubada há alguns anos.”

 

“Chewie We´re Home”

O regresso de Han e Chewie a Millennium Falcon é simplesmente fantástico, “Chewie We´re Home”. Aparentemente Han Solo voltou aos seus métodos antes de se tornar general e continua a contrabandear para ganhar a vida. A interacção entre Ford e Mayhew é maior do que nunca neste filme e funciona perfeitamente no que sucede mais para a frente, Peter Mayhew é tão bom actor que mesmo apesar de não dizer uma única palavra legível e apenas grunhidos percebemo-lo na perfeição.

 

“Após escaparem de um ataque de piratas que procuram o pagamento de uma dívida, eles viajam para o planeta Takodana para encontrar Maz Kanata (interpretada por Lupita Nyong'o), uma velha pirata de mil anos de idade, que eles acreditam que pode ajudar. No castelo de Kanata, Rey é atraída pela Força até uma cave, onde acha o sabre de luz de Anakin Skywalker e tem uma visão do futuro através da Força, da qual ela foge assustada.”

 

Maz Canata Castle

A personagem de Maz Kanata parece ter uma sabedoria inusitada, mais uma grande amiga de Han Solo e a quem desta vez não parece ter qualquer divida. Mais um ponto de contacto com a trilogia original uma vez que a fortaleza de Kanata encerra nas suas profundezas um enorme bar com as mais variadas e estranhas criaturas. Desta vez ninguém tenta matar Solo. Começamos a perceber que Rey não é uma personagem qualquer, de facto possui uma forte ligação com a força, vemos a primeira aparição dos cavaleiros de Ren.

 

“Finn pega o sabre de luz. Quando a Primeira Ordem ataca o castelo, Rey é capturada por Kylo Ren, enquanto os outros escapam graças à chegada das naves da Resistência, liderados por Dameron, que havia sobrevivido a queda em Jakku.”

 

Poe X-Wing

A cena do ataque ao castelo de Kanata é mais uma proeza de Abrams o melhor do digital aliado a grandes cenários e efeitos práticos, aqui não há stormtroopers construídos por computador, mas sim verdadeiros duplos enviados pelo ar com uso do bom e velho cabo…. Fantástica a luta entre Finn e o Stormtrooper, percebemos que Finn até foi bem treinado e safa-se bem na luta corpo a corpo.

 

“O grupo regressa á base da Resistência em D'Qar, onde descobrem que Han Solo e Leia se separaram após seu filho, Ben Solo, que estava sendo treinado por Luke para ser um Jedi, ter cedido ao Lado Negro da Força e se ter tornado em Kylo Ren.”

 

Han Solo e a Agora General Leia Organa

O reencontro de Solo e Leia é um pouco forçado, apesar de tudo Ford rouba a cena, continuo a achar que Fisher sempre foi um dos elos mais fracos em termos de representação, a sua posterior carreira demonstra um pouco isso. No entanto é sempre bom vê-la de volta. A cena em que ambos revelam a história de Kylo Ren é bem conseguida e ficamos a perceber que ambos se culpam pelo destino do filho, mas principalmente Han Solo.

 

O mapa, entretanto, é apenas parcial. Enquanto isso, Kylo Ren tenta torturar Rey para obter o mapa da sua mente, mas é impedido pela forte ligação de Rey com a Força, que ela usa para escapar.”

Penso ser nesta cena que temos a real confirmação de que Rey é de facto filha de Luke. Apenas um descendente directo de Luke poderia demonstrar tamanha destreza da força em tão pouco tempo e principalmente tamanha resistência a um utilizador do lado negro experiente como Kylo Ren, que revela a sua cara pela primeira vez. A cena em que Rey utiliza a força para convencer o guarda a soltá-la é delirante, principalmente se percebermos que o guarda em causa é o actor Daniel Craig fã da saga e amigo de Abrams que solicitou ter um papel no filme. Mais uma cena memorável para o universo Star Wars.

 

General Hux

“A Primeira Ordem utiliza uma nova arma construída diretamente dentro de um planeta, a Starkiller, comandada pelo General Hux (Domhnall Gleeson). A Starkiller absorve a energia de um sol e destrói um sistema de planetas, numa tentativa de minar a República. Eles planeiam destruir também D'Qar.”

Os mais atentos terão reparado que o sistema da República que é destruído e o planeta em que vemos mais habitantes se trata do planeta Coruscant, um dos mais fantásticos planetas adicionados por Lucas nas prequelas uma vez que e um planeta/cidade, percebemos portanto a maldade desta primeira ordem uma vez que destroem um sistema com milhares de milhões de habitantes sem a menor hesitação. Percebemos que Kylo Ren é instrumental para Snoke mas que quem manda na primeira ordem é mesmo o General Hux. Devo dizer que dado que anteriormente duas estrelas da morte tinham sido aniquiladas pelos rebeldes, trinta anos depois os vilões decidiram transformar um planeta inteiro numa arma, a ciência por detrás desta arma que obtém o seu poder através de uma estrela, parece-me mais plausível do que a ideia de construir uma arma do tamanho de uma lua num espaço de dois anos como aconteceu na trilogia original de Lucas.

 

Kilo Ren assiste ao poder da "Starkiller"

“Solo, Chewbacca e Finn são enviados para desactivar o escudo, de modo a que as naves da Resistência possam atacar. Finn, entretanto, apenas quer salvar Rey. Após encontrá-la, eles colocam explosivos para sabotar a arma. Solo vê Kylo Ren e confronta-o; Kylo Ren parece hesitante sobre abandonar o Lado Negro da Força, mas acaba por matar o seu pai, Han Solo, algo que Leia sente através da Força.”

 

Kilo Ren em "Badass" mode

"Gasp, Gasp", apesar de estar a espera de algo deste género dado o rumo da história, a ligação que Rey estabelece com Solo, e a raiva que Ben Solo tem para com o seu pai pareciam levar inevitavelmente a este desfecho. A cena é espectacularmente bem dirigida, o desempenho de Driver é fantástico, o de Rey igualmente, mas o que destaco é a reacção de Chewbacca á morte do seu companheiro de longa data ás mãos do próprio filho, simplesmente épico. Chewbacca dispara um tiro que acerta em cheio em Ren mas o mesmo consegue fugir ferido. Mais uma vez vemos um personagem maléfico que se encontra entre o bem e o mal mas que sente que só matando o seu pai se poderá tornar uno com o lado negro da força. Onde já vimos isto? Ah pois ele é neto do Vader, penso que Leia e Solo deveriam ter colocado Ben Solo num analista bem cedo, teria evitado problemas desagradáveis como este…..

 

Kilo Ren enfrenta Finn e Rey

“Os explosivos causam dano à arma da Starkiller, permitindo a Dameron e os outros pilotos atacarem os sistemas de defesa. O ataque a D'Qar é evitado e a Starkiller começa a entrar em colapso. Kylo Ren confronta Finn, que usa o sabre de luz de Anakin mas é derrotado e cai inconsciente. Kylo Ren tenta pegar o sabre de luz, mas é Rey que consegue atraí-lo, e eles entram em confronto. Rey quase que derrota Ren ferido, mas à medida em que o planeta entra em colapso, o chão abre-se e eles são separados.”

 

A luta entre Ren e Finn é bem coreografada mas percebemos cedo que só por Ren estar ferido é que não corta Finn ao meio ao primeiro brandir de sabre, teve sorte de levar apenas um golpe nas costas e cair inconsciente. A luta com Rey é fantástica mesmo ferido Ren é um adversário temível mas após muito tempo a fugir Rey decide tomar controlo sobre a força e lá consegue desferir o golpe final. Pena que o planeta se esteja a desintegrar e surge uma enorme fenda que os separa senão Kylo Ren ia ter com o pai que matara momentos antes. Digamos que com o golpe que Rey lhe desfere a máscara vai passar a fazer sentido….

 

“A Starkiller é destruída e ambos escapam: Kylo Ren e General Hux vão encontrar-se com Snoke, e os outros retornam a D'Qar, onde o mapa completo é composto com a ajuda de R2-D2, que entretanto desperta. Rey viaja com Chewbacca na Millennium Falcon e encontra Luke Skywalker, que vive isolado numa ilha remota, e revela a ele o sabre de luz de Anakin.”

 

BB-8 é tão engraçado que nem sentimos a falta de R2-D2 que aparece apenas nos minutos finais do filme. Talvez estivesse em modo stanby a espera que alguém aparecesse para encontrar Luke, muito provavelmente a mando do mesmo.

 

Um final em jeito de "cliffhanger" ou não se tratasse isto de uma trilogia e mais não se tratasse de um filme de Abrams, o encontro entre pai e filha é emocionante e revela mais uma vez o enorme talento de Ridley. Digamos que o Luke tem muito a explicar, nomeadamente porque deixou a filha sozinha num planeta deserto? Será Rey tão poderosa que Luke temia que o seu treino levasse ao mesmo desfecho de Ben Solo? Quem será a mãe de Rey, seria uma Jedi, dai Rey ser tão poderosa? Será o Supreme Leader Snoke, Darth Plagueis o único Sith a enganar a morte? Que nova arma construirá a primeira ordem a seguir, se calhar seria melhor investir num escudo impenetrável, é que três em três deve ser difícil de engolir?

 

Enfim ainda agora estreou o episódio VII e já estamos em pulgas para o episódio VIII, isto diz muito sobre a qualidade de “O Despertar da Força”, uma real homenagem aos filmes originais mas com a introdução de novas e fantásticas personagens que levarão a saga a mais e fantásticas aventuras.

 

Com tão bom resultado só tenho pena de uma coisa, que J.J. Abrams não tenha aceitado realizar o próximo episódio, entregando a realização ao muito talentoso Rian Johnson, escritor e realizador de “Looper” um dos melhores filmes de ficção cientifica dos últimos anos. Ao que tudo indica o guião continuará nas mãos de Abrams, Kasdan e Arndt, bem como a produção. Tendo em conta que Lucas também só dirigiu o primeiro episódio da trilogia original parece ser uma tradição a manter, talvez o episódio VIX seja mesmo realizado por Spielberg que ao que tudo indica recusou mesmo por três vezes realizar um filme da saga, o episódio V, o episódio I e mais recentemente o episódio VII, onde ficou apenas como consultor criativo de Abrams.

 

Em 2018 logo veremos, por enquanto é aproveitar “O Despertar da Força” porque existe mesmo muito para aproveitar….

 

Peço novamente desculpa pelo longo texto mas esta é uma das formas de exteriorizar o meu entusiasmo por Star Wars, uns vestem-se de Ewoks, eu escrevo posts longos e maçadores, como bom geek que sou…..

 

May The Force Be With All Of Us……